Nunca neguei. Minha sorte é foda. Se deixar dá porrada na cara dos outros de mão aberta e ainda fala “se olhar feio toma outro”.
Meu irmão, nessa vida de PM há mais tempo que eu, já me passou vários sermões e conselhos sobre deslocamento, afinal, pra trabalhar atualmente eu viajo uns 150 km e não ando armado.
Fato foi que eu nunca precisei pegar carona. Em um post anterior (aqui) já havia mencionado sobre, mas agora foi o chute no balde.
Mas vamos à história né? Pra começar dei de cara com um motorista caxias que não queria dar carona porque o bus tava cheio (feriado é foda) e não podia ir de pé na frente pois se o fiscal pegasse ele tava fu. Só que se eu perdesse aquele bus quem tava fu era eu. Insisti e ele disse que me levava até a metade do caminho, num pedágio, e de lá eu poderia pegar carona. Fazer o que, fui. Só queeeeeeee…
- O bus acaba de sair da rodoviária e um fiscal pede carona – e olha que coisa! Ele ia pro mesmo lugar que eu! (my luck 1 x 0 zica).
- Com isso o motorista (levemente contrariado, mas o fiscal era gente boa XD) teve que me levar até o ponto que eu geralmente desço. E cara, tava calor, e eu de farda, mochila e bolsa (voltando de férias, sacumé). Caramba, tava morto de sede, um refri caía de boa. Mas fala sério, quase 11 da noite, tudo que é coisa gostosa na geladeira do quartel já deveria ter acabado faz tempo. Cheguei lá, falei com a galera e: “Ô rapaz! Tá com calor? Tem Coca e sorvete na geladeira, vai lá.” (my luck 2 x 0 zica).
- O dia transcorreu normal, teve uma ocorrência só e de boa. Como é fds, dá pra dormir e ficar de uniforme de educação física o dia todo (my luck 3 x 0 zica).
- Aí o sargento me chamou e falou que vai me mudar de turno. Ou seja, não estou mais de serviço, posso ir embora! (my luck 4 x 0 zica).
- De quebra consegui trocar serviço com um camarada no feriado. Ou seja, na volta vou trabalhar dois dias e folgar quatro, passar a semana toda em casa (my luck 5 x 0 zica).
- Só que eu não sabia horário de bus pra ir embora naquela hora (5 da tarde). Fui de cara e peguei o das 5, mas quando cheguei na rodô o último bus pra minha cidade tinha saído há uma hora… (my luck 5 x 1 zica).
- Corri os guichês e tava foda. Só tinha ônibus 8 da noite, e pra uma cidade mais de 150 km longe de casa (mas que me colocava em linha reta com minha cidade). Pensei: vou pra lá, depois torço pra ter outro bus na rodô pra onde eu vou (my luck cobrando escanteio).
- Meio perdido (afinal nunca tinha feito aquele caminho, ainda mais de
noite), já tava vendo que não ia ter bus na rodô, afinal já tava tarde. Pra variar o motorista não era muito de dar informação ou era meio chato mesmo. Acontece que tinha um policial no ônibus que puxou conversa e falou: faz o seguinte, não entra na cidade, pára no pedágio e pega uma carona. Pensei comigo, nunca peguei carona, comofaz? Claro, não perguntei. Desci no pedágio (my luck preparou, chutou).
- Olhei de um lado, nada de carros. Fui até uma mocinha de uniforme e ela me instruiu a atravessar os guichês até o lado em que a rodovia voltava. Olhei pro fundo, na escuridão, nenhum carro vindo. Os que vinham passavam vazado no Sem Parar. Pensei: eta nóis… Lembrei de uma vez que passei no pedágio, quando ainda era civil, e não dei carona pra uma policial (se bem porque eu nem tinha visto…). Pois é, as coisas voltam. (a bola sobe, vai cair na área, vários jogadores esperando…).
- Minha cidade estava a uns 100 km, três cidades no meio. A chance de achar alguém indo exatamente pra minha cidade existia, mas o movimento tava beeeem fraco. Fui andando e, na terceira cabine, tinha um carro sendo liberado. Um cara dentro apenas. Olhei meio sem jeito, e o cara me viu, esfregou os olhos e me chamou. Olhei e quase não acreditei, Não é que era um antigo amigo de escola! (my luck mata no peito, faz o voleio num zagueiro, caneta no outro, chapela o goleiro e manda de bicicleta – 6 x 1 zica).
Peraê, acho que vocês não entenderam direito. Vou falar de novo: O ÚNICO CARRO ÀS 22H00 EM UM PEDÁGIO NUMA RODOVIA GIGANTE QUE CRUZA O ESTADO DE SÃO PAULO ERA O DE UM ANTIGO AMIGO DE ESCOLA QUE EU NÃO VIA HÁ MAIS DE 10 ANOS E QUE ESTAVA VOLTANDO DO MATO GROSSO E INDO PRA MINHA CIDADE! (replay do gol, entrevista com o atacante, mostra a arquibancada fazendo “ola”).
- O cara tava voltando de Sampa, que por sua vez tinha voltado do Mato Grosso (!!) e tava indo embora pra minha cidade (7 x 1). E ele ainda fala que nunca dava carona! A gente voltou falando que nem muleke, ele contando da vida, casado, filho de sete anos e eu contando de ser bombeiro e tudo mais. Como a galera se dispersou, calvície, bons negócios e todas essas coisas.
Chegando, ele me deixou na esquina de casa. Na melhor das hipóteses, vindo de ônibus, teria que pegar mais um circular ainda (8 x 1).
Por fim, o que eu digo: eu não reclamo dos momentos ruins. Problemas e perrengues todos passamos, mas é preciso saber ver quando a sorte (ou qualquer coisa que você queira chamar) te manda pra frente e te ajuda a sair do buraco.
