Já faz um tempo que deixei de comentar (ou relatar) todas as vezes que sonho com você. Não, obviamente, que tenha deixado de acontecer. Muito pelo contrário, até.
Sobre meu sono: ele é leve. rolo muito na cama, ajeito os travesseiros de um jeito peculiar, me cubro e descubro. Acordo com qualquer ruído. Por vezes sei que estou dormindo, noutras só percebo de manhã. Contudo, o efeito realmente interessante desse conjunto é não me dar certeza de quando estou sonhando.
É bom poder vê-la novamente, conversar, saber sobre você. Ouvir sua voz e delinear aqueles contornos labiais delicados e perfeitos. Recriar aleatoriamente a cor dos seus cabelos e alguma nova tattoo aqui e ali, mesmo que tudo não passe de uma projeção (por vezes cruel) do meu subconsciente.
Mas, num dado momento, a linha tênue entre os mundo se rompe e eu abro os olhos. Toda uma realidade se aniquila perante um quarto escuro e silencioso. Tudo fica congelado no tempo até que meu corpo se dá conta do que houve.
Inspiro profundamente. Expiro. antes havia uma contagem. Não mais agora.
Todo o sono ou vontade de dormir desaparecem. Olho o relógio apenas pra saber por quanto tempo ainda preciso esperar pra dar continuidade à minha vida. 3h20.
Pode parecer ruim a um observador externo. Imagino o que vocês pensariam sobre isso, e em todos os comentários de auto-ajuda que lhes ocorrem. Mas eu realmente não sei se gostaria que isso acabasse.
Dói. É ruim, amortece os sentidos. Me sinto vazio e desolado.
Mas é o que eu tenho hoje, de você.
