Chapter 12 – Haunted

27 12 2009

Sabe, tem horas que me sinto como um soldado que sobreviveu a uma chuva de morteiros em plena praia de Omaha. Feliz por estar vivo, por ter resistido, mas arrasado ao olhar em volta.

Essa cidade me assombra. Não há como passar pelas suas parcas ruas sem ser atacado por lembranças. Lembranças boas (em sua grande parte), mas que dóem e se tornam cruéis. Constantemente me vejo encurralado, tendo que optar entre ficar em casa ou sair e enfrentar meus fantasmas. Lugares em que estive com meus amigos, lugares em que ri e brinquei, lugares em pelos quais passava todos os dias, lugares em que ia com Ela.

Hoje estava de folga. Dei um trato na moto e mais à tardinha saí pra andar. Estava muito calor e eu com dor de cabeça. Passei o dia todo dentro do quarto.

No caminho, resolvi passar pela rua em que ela morava. Coincidentemente, seu pai estava lá na frente e eu parei pra dar um alô. Imaginei que ela estivesse em São Paulo, com todo mundo, como era comum todos os anos. Ele me disse que todos estavam ali, em uma festa na casa do vizinho. Inicialmente fiquei contente, mas logo esse sentimento mudou radicalmente. Estavam todos ali. E nenhum deles me ligou, nem ela, nem a mãe, ninguém. Não foi difícil concluir que simplesmente não era para eu saber. Que não era da minha conta. Lugar errado, hora errada. Só isso.

O pai dela insistiu para que eu ficasse, ou que fosse até a festa, mas educadamente eu recusei. Tentou me fazer combinar de voltar algum outro dia, mas também foi infrutífero. Creio que ele percebeu o que eu pensei.

Só não quis atrapalhar. Afinal, minha presença já não é mais nada de relevante mesmo. Sequer sei se tenho o direito de me sentir triste por isso.

Voltei pra casa. No caminho, em uma avenida, parei por alguns segundos e, em seguida, optei por tomar o caminho da rodovia ao invés de ir para casa. Foi então que eu liguei o “foda-se”. (continua)





Chapter 11 – X-Mas Approaching

16 11 2009

Há alguns dias vi o primeiro letreiro luminoso de Natal. “Boas Festas”, luzes e aquela coisa toda. Uma única loja na avenida. Dias depois, o número de anúncios já era maior.

Essa época era sempre meio estranha pra gente mim. Ir ou não pra Sampa, passar com a família dela – coisa que eu adorava fazer – mas deixar a minha aqui com isso. Decisão difícil, se bem que depois de um tempo nem estava percebendo mais a diferença de uma família e de outra.

Esse ano as opções mudaram, mas não melhoraram. Possivelmente vou ter que trabalhar nos dois feriados.  Engraçado, pois na noite de reveillon eu sempre fazia dois pedidos, e um deles eu alcancei.

Mas nunca havia imaginado que pra ter um precisaria abrir mão do outro.





Chapter 10 – Chili & Doritos

5 11 2009

Depois do dia 2 voltamos a nos falar meio que esparçamente. No feriado do mês seguinte calhou para que eu estivesse de folga e ela por aqui. Conversa vai, conversa vem (via msn) e acabei indo até a casa dela. Levei doritos queijo nacho. Comemos com chilli. Estava todo mundo em casa e foi meio como que nos velhos tempos. O mesmo tom de happy family.

Levei um capacete extra, mas já tinha em mente que ela talvez não fosse querer sair pra dar uma volta. Mas não é que ela topou? Andamos a cidade toda, conversamos ainda mais. Nossa, quanta coisa acontece em seis meses…

Pra variar, na despedida o clima pesou um pouco. Inevitável, eu diria, mas bem diferente do que era antes. Disse-lhe o que pensava e o que senti nesses meses. Em parte, ela fez o mesmo. Lembrei-a de uma promessa que ainda precisava cumprir.

Fui embora e cheguei em casa ainda com um sorriso estampado no rosto (meio Coringa, saca?).

Afinal, não é todo dia que alguém ressuscita.





Chapter 9 – In a galaxy far, far away…

29 10 2009

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Sempre amei o senso de humor dela.





Chapter 8 – The Day After

5 10 2009

Certo, não aguentei. Liguei para ela no dia 2. Tinha a nítida idéia de que ela ainda estava muito brava comigo, mas não. “Conversamos que nem gente grande”, como a mãe dela diria.

E bem até, animadamente. Disse tudo o que eu precisava dizer e o quanto me arrependi de outras coisas. Ela me contou um pouco do que anda fazendo e da sua nova vida, e que ficou surpresa com a minha ligação. Mais tarde, por msn, o papo continuou. Conversamos pouco, verdade, mas o bastante por agora. Jack relax. Roll the bones and see the facts.

Não disse a ela que existe este relato e também não sei se ela sabe. Creio que ela havia me apagado sistematicamente de sua vida (afinal, ela não identificou meu número no celular). Mas, por algum motivo, não estou preocupado com isso.

Como eu disse (e como já me disseram) o mundo gira. Deixa ele girar. =)





Chapter 7 – Datas

1 10 2009

Amanhã é aniversário dela. O primeiro aniversário em 10 anos em que não estamos juntos. No mês seguinte é o meu, e em Dezembro, o Natal. Três datas que sempre significaram muito pra gente.

Em contraponto, existe o Dia dos Namorados. Por mais estranho que pareça, passamos os últimos em pé de guerra.

Creio que ela ainda não quer saber de mim, por isso não vou ligar. O que me deixa triste, pois queria que ela soubesse que não me esqueci, e que penso nela todos os dias – mas não quero invadir o espaço que ela pediu.

Aliás, acada dia que passa sinto que esse espaço se alarga, tal qual um rio. Um dia já não mais será possível atravessá-lo. Ou, quem sabe, um pode acabar morrendo ao tentar. Ou não.





Chapter 6 – Vanished

19 09 2009

O pior é a sensação do vazio deixado. Aquele lugar cativo que não é mais ocupado, a reserva que sempre era preenchida mas que agora está desoladamente vazia. É inevitável deixar de pensar no quanto seria legal se ela estivesse ali. Talvez não mais como o que era, mas simplesmente como alguém.
Me disseram que isso tudo não passa de uma infantilidade, o tipo de coisa feita por influência externa. Outro, que não passa de um loop que um dia acaba.
Queria dizer a ela sobre o que tem acontecido, queria ouvir dela o mesmo.

Realmente, queria apenas que ela não tivesse desaparecido.





Chapter 5 – Alguém sempre tem algo a falar sobre

16 09 2009

Mesmo depois de algum tempo, o pessoal do serviço ainda me pergunta sobre o que aconteceu. Na verdade, já percebi que não passa de apenas um pretexto para me falarem de suas próprias experiências na mesma área.

Talvez um modo de me fazerem ver que as coisas poderiam ser piores, talvez apenas estejam querendo demonstrar que essas coisas fazem parte da vida. Ou então, quem sabe, suas próprias seqüelas nesse campo venham à tona. De uma forma ou de outra, sempre dizem coisas interessantes. Coisas que valem a pena ouvir e refletir sobre.

Por mais que continuar pensando no assunto, definitivamente, não me faça bem.





Chapter 4 – Whitesnake

12 09 2009





Chapter 3 – Sobre os meus erros, tomo 1

10 09 2009

Vero, nunca fui um namorado 100%. Mas me esforcei muito pra pelo menos chegar perto. Um das minhas teorias é de que, talvez por ter que me dedicar tanto ao treinamento, acabei deixando um pouco de lado essa parte de ser um mais atencioso. Afinal, ela também estava passando por uma fase difícil.

Por diversas vezes tentei fazer surpresas, presentes planejados ou mesmo sair, mas sucessivamente tudo acabava dando errado ou se tornando inviável em relação às obrigações. De fato, alguém devia estar se divertindo muito com isso.

Nesse ponto eu vejo o quanto ela se esfoçava. Sentia muito o quanto ela presenteava e fazia surpresas carinhosas e tal e eu não conseguir devolver à altura tais gestos. Ou mesmo quando tudo acabava dando errado e mais uma briga acontecia.

Estava guardando tantas idéias pra agora, tantas coisas… Ia compensar cada segundo de tempo perdido, e ficar com crédito para mais um monte… Mas sei lá. O trem descarrilhou de vez e, desgraçadamente, admito ter parte dolosa nisso.





Chapter 2 – Banido

6 09 2009

Relacionamentos acabam, fato. Várias e várias vezes ao redor do mundo, diversas vezes por minuto – senão por segundo. Comigo, uma parte do problema não foi simplesmente acabar, mas sim tudo o que me foi levado embora junto com ele.

Havia todo um círculo, amigos principalmente. Amigos dela, como vim a descobrir. Nenhuma ligação posterior, nenhuma palavra, silêncio na rede. Em um mundo regido pela era da comunicação, nenhum som ou caractere foi emitido.

Quanto à fonte, a luz do msn nunca mais ficou verde, updates protegidos no twitter e no orkut… warever, nunca gostei muito desse site mesmo. Uma imensidão na qual não se ouve sequer um eco.

Fico pensando se tenho raiva destes. Afinal, apenas escolheram um lado. Ficaria contente se a situação fosse o inverso, mas não permitiria tal ato.

De fato, a pior coisa dita foi, justamente, não ter dito mais nada.





Chapter 1 – O Fim

3 09 2009

“Sete anos não são sete dias”

Essa foi a frase mais marcante que ela me disse naquele último encontro. Por um lado uma afirmação esperançosa, por outro, de cunho extremamente rancoroso.

E foi mais ou menos assim que acabou. Eu namorava a garota mais bonita da escola. Éramos felizes. Mesmo quando a escola acabou tudo continuou de forma… incandescente. Exceto nos últimos dois ou três anos, quando as coisas, de alguma forma, começaram a ficar estranhas.

Pra falar a verdade, não tenho certeza de nada. Talvez nossos empregos, talvez a faculdade dela. Talvez algum problema que eu ainda não consegui identificar. Ou ainda talvez tenha sido a minha ida pra Sampa, talvez a ida dela pra Sampa. Não sei, só sei que não gosto mais daquela cidade. Quando eu sonhei em casar com a garota mais bonita da escola, nunca imaginei que São Paulo fosse nos separar.

E foi mais ou menos por isso que eu resolvi virar as costas para São Paulo e seguir em direção a Ribeirão Preto. Talvez um dia eu volte. Talvez não.