Moro no mesmo bairro há mais de 20 anos e, com a passar do tempo, muitos amigos foram embora e outros envelheceram aqui comigo – o que não impediu de que nos tornássemos distantes.
Esses dias, ao entrar em casa, uma figura estranha me chamou do meio da rua. Magro, visivelmente abatido, olhos vermelhos, aspecto relaxado e decrépito e, bem, acho que já me entenderam. Puxou conversa, um papo estranho e sem nexo. Fui cordial, mas desconversei logo. A figura foi embora.
Era um amigo de infância. Estudamos juntos, andávamos com a mesma turma. Mas aí ele se envolveu com as drogas e depois não o vi mais por vários anos. Não até que ele me viu.
Percebi que ele se esforçou para se lembrar de mim, meio que buscou forças para lembrar meu nome. Depois, passando pela rua, vi a casa onde ele ainda mora com a mãe. O aspecto de ambos é semelhante. Decaído e triste.
Bem, não quero dar lição de moral com esse post. Não quero julgar ninguém.
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Todos fazemos escolhas.



