Ainda pela rua

29 10 2009

Moro no mesmo bairro há mais de 20 anos e, com a passar do tempo, muitos amigos foram embora e outros envelheceram aqui comigo – o que não impediu de que nos tornássemos distantes.

Esses dias, ao entrar em casa, uma figura estranha me chamou do meio da rua. Magro, visivelmente abatido, olhos vermelhos, aspecto relaxado e decrépito e, bem, acho que já me entenderam. Puxou conversa, um papo estranho e sem nexo. Fui cordial, mas desconversei logo. A figura foi embora.

Era um amigo de infância. Estudamos juntos, andávamos com a mesma turma. Mas aí ele se envolveu com as drogas e depois não o vi mais por vários anos. Não até que ele me viu.

Percebi que ele se esforçou para se lembrar de mim, meio que buscou forças para lembrar meu nome. Depois, passando pela rua, vi a casa onde ele ainda mora com a mãe. O aspecto de ambos é semelhante. Decaído e triste.

Bem, não quero dar lição de moral com esse post. Não quero julgar ninguém.

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Todos fazemos escolhas.





Por isso que Matemática sempre causa traumas

15 10 2009

Nosso Raise dessa semana vai pra alguém que tornou uma fase da minha vida um inferno, o professor de matemática que eu tinha no 1º colegial.

Fui pagar uma conta na lotérica e lá vem ele na fila de idosos (é, o tempo passa), com a mesma cara de cínico de sempre.

Lembro que ele até que ensinava, mas não tinha muita paciência. Equações de primeiro e segundo grau eram terríveis. Tirei “D”, “E” e “F” com ele o ano todo. Como se não bastasse, na única prova em que eu fui bem, acertei TODAS aquelas marditas equações, ele me deu “E” porque eu fiz tudo de caneta azul e ele queria que fosse de caneta preta!  ELE ME DEU “E” PORQUE A PROVA TAVA DE UMA COR QUE ELE NÃO GOSTA!

IEP

Fato, repeti aquele ano, juntando isso, uma porrada de suspensões e o fato de que eu matava aula duas ou três vezes por semana. Que foi? Nunca disse que era um bom aluno.





16 anos depois

5 10 2009

Nunca joguei aquele contato de msn fora. Alías, dificilmente faço esse tipo de coisa. Ele nunca acendia mesmo, não incomodava, apenas estava ali, quietinho na dele. Mas, então ele acendeu.

Cara, realmente, 16 anos depois. Mudou-se pra Santa Catarina, mas ainda me lembro de quando jogavámos taco no campinho do lado da casa dela, juntamente com toda a galerinha da rua. Sabe, tipo aquelas meninas que brincam junto com os meninos? Então.

Cresceu (e não ficou com cara de muleke, muito pelo contrário). Teve seus desentendimentos, suas tristezas e resolveu ir para longe. O irmão dela ainda mora por aqui, mas raramente o vejo.

Conversamos um pouco de noite, e a manhã toda do dia seguinte. E cara, como tem assunto! Coisas do passado, coisas que nos divertiam e coisas que sempre foram segredos muito bem guardados (maior que um precipício, viu!). Falamos sobre como nos divertíamos naquela época, dos videogames (o Street Fighter 2 original do seu irmão tá comigo até hoje!) e de como foi triste quando a galera começou a se dissolver.

Claro, sobrou melancolia aos baldes. Fiquei muito feliz por encontrá-la novamente, saber que está bem e que continua com caninos proeminentes legal como sempre foi.

Prometeu que quando viesse pra cá novamente, me ligava.

E eu acho que vou ter um treco se ela fizer isso.





Felizes para sempre, ou não

12 09 2009

Nota rápida.

Voltando para casa, em meio à multidão vi uma antiga amiga (que não me viu ou não me reconheceu). De peculiar sobre ela apenas lembro que passou o curso todo dizendo sobre como seu romance era perfeito e seu (então) noivo a pessoa mais maravilhosa do mundo.

Casaram-se logo antes da formatura, e separaram-se poucos meses depois. Toda aquela demagogia sentimentalóide posta a baixo por ela mesma. Nunca falei com o cara, logo, nem sei o ponto de vista dele, apenas me indago sobre o nível de devaneio que atormentava os dois.

Tal como Alice, talvez o país das maravilhas não seja tão maravlhoso assim, afinal.





Amiga do passado

10 09 2009

Nossa, eu aqui, escrevendo algumas coisas e de repente meu msn começa a piscar. De cara não reconheci, mas então, depois das devidas explicações, uma grande amiga da época da escola surgiu entre a neblida da dúvida.

Caramba, e como o tempo passa. Colocamos a conversa em dia e nos lembramos de muitas situações que vivemos naqueles anos dourados. Haja coração. Uma conversa extremamente agradável e muito bem humorada – o tipo de coisa que eu estava precisando mesmo.

É bom saber que, de alguma forma, sou lembrado com carinho por algumas pessoas. O mesmo carinho que eu tenho por elas e não tenho muito o costume de externar.

Andei reparando também que eu sou um cara procurado – e também tremendamente desleixado. Porque eu também não procuro meus amigos e amigas antigas pra retornar a amizade? O que me consome tanto que me inibe de fazer isso?

Ah, já sei. Droga.





Rollerblades!

15 04 2008

Lacrados no interior de uma caixa láááááááá no quartinho dos fundos, estão os que um dia já foram o maior tesouro da minha vida de adolescente. Sei não, mas acho que estes vou guardar pro resto da vida. Comprei-os durante um campeonato de in-line hockey na cidade de Boituva/SP e depois disto eles meio que se tornaram uma extenção do meu corpo – e confesso que eu nunca fui um patinador nota 10, no máximo 8.5, mas dava pro gasto.

Apenas pra lembrar, teve uma vez em um campeonato em Leme/SP em que eu corri muito pela lateral da quadra, consegui deixar 3 do outro time pra trás e ia fazer um lançamento livre perfeito. A torcida tava pé acompanhando aquele que ia ser “o” lance do jogo, mas aí o 4º deles veio de encontro e… bom, eu me lembro de ter visto os patins (com meus pés dentro) passando por cima da minha cabeça antes de ser arrastado semi-consciente pra fora da quadra pelo goleiro do nosso time. Tá certo que eu descontei a porrada depois e o cara também deu uma “voltinha na roda gigante”. E a propósito, voltei lá e fiz aquele gol.

Agradeço a eles a cicatriz do meu braço esquerdo, charmosa que ela só. Agradeço por calçar 38 naquela época e continuar calçando 38 até hoje por causa deles. Agradeço à tia da loja de concertos em couro que conseguiu concertá-lo quando ele rasgou em cima, num daqueles anéis de passar o cadarço. Agradeço à minha irmã, que me deu os adesivos de coiote e papa-léguas, agradeço a todos que gostaram dos Mimic’s in Black nos EIRPG da vida e agradeço à Borbolla por me fazer procurá-los, porque estavam na caixa de coisas que minha mãe ia acabar jogando fora!

Pois é, saudade dos tempos que não voltam mais. Ou será que voltam?





Essa me defendia da diretora

11 04 2008

O nosso RFIG de hoje vai pra minha antiga professora de… de… sociologia (obrigado, Bruninha). Lembro que minha namorada não era muito fã dela porque ela adorava ficar fazendo perguntas sobre o nosso relacionamento em público – tipo a tia orgulhosa falando com os sobrinhos. Como não podia deixar de ser, tinha o sugestivo e pejorativo apelido de abajur (valeu Bruninha, de novo).

Mais tarde vim a conhecer e trabalhar junto com o filho dela, gente boníssima. Tenho a impressão que no primeiro impacto ela não me reconheceu, mas depois deve ter lembrado, afinal, tantas vezes qu eu tava na diretoria pra ser fuzilado e ela me mandou de volta pra sala dizendo “deixa que eu resolvo com a diretora”.

E dá-lhe Dona Marlene!





“Vai jogando que eu tou ali”

10 04 2008

Depois de mais de 15 anos, hoje eu vi meu antigo professor de Educação Física. As aulas deles era bem peculiares: consistiam em deixar a mulecada da 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries jogando bola enquanto ele ia no bar tomar umas biritas. Eram as aulas mais relax, dava pra botar a conversa em dia, ficar falando dos shortinhos das meninas ou até – quando não tinha mais nada pra fazer – jogar bola mesmo.

Engraçado que ele continua com a mesma cara de sargento pincel, só que agora grisalho.

Semana passava vi minha antiga profa de Geografia/História/Ciências Sociais. E não é que a tiazona ainda tá igualzinha? Tenho medo de pessoas que não envelhecem…